o espelho
Estou um pouco confuso, não sei que fazer, nem que pensar… com tanto descaramento. Alguém que se está a fazer a mim de forma descuidada, às vezes grosseira. pois eu gosto de ser conquistado, aos poucos, devagarinho, com carinho…
Viajei, fiquei fora do país durante uns tempos. Estive hospedado em casa de gente, era mais barato alugar um quarto, mas de início tinha receio. Não os conhecia, falavam pouquíssimo… estava incomodado. Sentia-me um elemento estranho, alguém de fora que sente uma barreira intransponível.
Por vezes sentia-me espiado. Sentia sempre uns olhos por trás de mim.
A casa não era grande. Uma cozinha pequena (apenas eu lá comia), uma sala com um cantinho tipo sala de estar com TV e três quartos. O dos donos, o do filho que não morava alí e o meu quarto, com casa-de-banho privativa. O meu quarto ficava ao fundo do corredor, do lado direito da minha porta o quarto vazio, antes o quarto deles. Do lado esquerdo a cozinha e a sala.
Quando entrava no meu quarto, tinha uma janela de frente, com uma espécie de secretária. A cama ficava do lado esquerdo, de frente para a cortina que servia de porta para a casa-de-banho e que eu nunca fechava. Quando se entrava nessa divisão, tinha a banheira do lado esquerdo, a sanita em frente e do lado direito um grande espelho e o lavatório de lado, perto da sanita. Adorava aquele espelho. Decorado em toda a volta com ferro forjado. Para além disso, parecia que não encostava à parede, mas não caía.
Como dizia, adorava o espelho. O facto de estar frente à banheira e ter privacidade dava azo a certas liberdades. Masturbava-me, enchia-me de esperma que depois esfregava no corpo. Lavava-me de forma sensual, acariciando cada parte do corpo. Sempre olhando para o espelho.
Depois dormia nu, abrindo bem as pernas ao deitar, colocando meu pénis para trás, entre elas, como vi num filme, esperando que alguém viesse e começasse a lamber. Tinha sonhos de acordar molhado, uma vez até me vim durante o sono. Liberdade às fantasias na minha cabeça.
Mas como disse, sentia-me incomodado nesta casa, onde ninguém me falava, a não ser os cumprimentos banais. Para além disso, por vezes sentia-me espiado, como se as paredes tivessem olhos. Mas mal saía de casa não me lembrava mais disso, mal começava no banho, tudo se esvanecia, desaparecia.
Certo dia, estava eu na banheira, debaixo de água boa quente no jacto que me acariciava a pele, vi o espelho mexer-se. Pensei que era imaginação minha, as minhas fantasias a vir ao de cima. Não podia ser.
Continuei meu banho. Espuma no corpo, acariciando os pêlos, o pénis, o rabo. Devagarinho, bem devagarinho.
E mais uma vez o espelho. Mas desta vez parecia que saía luz pelo lado direito. Achei bastante estranho. Saí da banheira, aproximei-me e tentei remover o espelho. Este era afinal uma porta para o quarto do filho. Do outro lado, frente para a janela de onde vinha bastante luz estava um rapaz dos seus 20 anos, bem composto, de calções brancos…
continua…
Taurnil Lossehelin (Foto da net)



Parabéns por mais um grande texto. Mal posso esperar pela continuação
Muito bons estes teus textos.
Puro prazer…
Beijos Ardentes
obrigado a ambos.