Perdido [3]

Acordei.

A casa estava num sossego absoluto. Estar no meio de um mato permitia ouvir o chilrear dos pássaros ao invés de buzinas de carros.

Depois de uma passagem pelo WC fui até à cozinha. Ele já devia ter saído. Já era quase fim da manhã. Cansado e longo dia tinham-me feito dormir mais do que o desejado. Havia um cheiro a café fresco no ar… torradas acabadas de fazer. Um papel colado no frigorífico: tinha ido a casa há pouco tempo ver se já tinha acordado. Imaginava-me cansado pela viagem que fizera e deixara-me dormir.  Entretanto tinha-me deixado o pequeno-almoço adiantado para não andar à procura das coisas. Em cima da mesa estaria um pequeno mapa para chegar à vila.

Comi, vesti-me, saí e segui religiosamente as instruções:  fechar a porta a chave, levá-la e entregar antes de me ir embora para nos despedir-mos. Meti-me à estrada e finalmente vi o vilarejo. Nem estava longe, mas o arvoredo denso e a noite a cerrar não me deixou vê-lo.  Fui à pensão onde tinha um quarto reservado para desmarcar e deixar alguma coisa, apesar de não ter usado. Reparei entretanto que um antigo solar tinha sido transformado em albergaria. Teria ficado melhor… mas imediatamente lembrei-me que melhor não poderia ter ficado. Fui almoçar a um pequeno restaurante na praça principal e fui então à minha vida. Vendi os meus produtos e tentei obter informações acerca do meu anfitrião.

“O menino Miguel é dono de quase tudo por aqui. Aquele solar é da família dele. A pensão, o restaurante, a maior parte dos rebanhos. Dá emprego a muito boa gente.  Quando herdou tudo da madrinha dele, a Sr.ª D.ª Zulmira, que Deus a tenha em descanso,  ainda ficou a morar no solar, mas depois foi lá p’ro monte. Ele é um pouco estranho. Fala pouco e às vezes ao fim de semana recebe gente da cidade e são dias a fio de festa. Viu a piscina? E as obras que fez atrás da casa? Nem com uma escada grande dava para ver o que se passa. Não que queria saber, claro. cada um faz o que quer e os outros nada têm a ver com isso. Mas enfim, é boa gente também.”

Cinco da tarde e já quase escurecia. Amanhã era sábado, queria voltar para casa. Compromissos agradáveis me esperam. Despedi-me e regressei à casa do Miguel.

Ele ainda não tinha chegado.  Fiquei à-vontade, em boxers, sentei-me no sofá, liguei a TV e passei pelas brasas. Acordei 30 mn mais tarde. Uma mão segurava na minha, acarissiava-a. Quando abri os olhos largou-me, ligeiramente incomodado por ter acordado quando me tocava. Era a primeira vez que sentia a pele dele e arrepiei-me. Balbuciei que estava ligeiramente com frio.

Perguntou-me se ficava mais aquela noite. Quis dizer-lhe que não, mas da minha boca saiu um sim. desejos e sentimentos que atraiçoam a vontade de um homem.  Perguntou-me se antes de jantar queria experimentar o pequeno SPA privativo dele. Fiquei espantado e claro, ia dizer que não? Já que ficava…

Saímos por uma porta nas traseiras, bem dissimulada. Descemos uma escadaria e chegámos a um pátio interior coberto por uma claraboia. Estava quente ali. Uma pequena piscina circular  ao centro, algumas portas em volta, num semi-circulo. Fez as honras da casa e bem orgulhoso, mostrou-me o seu ginásio (do lado esquerdo), o solarium, o jacuzzi, o banho turco, a sauna e 3 cabines de duche (do lado direito). Uns canapés brancos espalhados à volta da piscina, enconstados às paredes. Podia experimentar tudo.

“Mas não tenho fato de banho!” Eu saio, vou à vila e fazer o jantar. Podes ficar à vontade, ficar nú que não te venho incomodar. Nas cabines de duche estão umas toalhas.

Entretanto, lembrei-me que ele já me tinha visto nú e eu apenas a ponta da verga e mal e um rico enchumaço nuns boxers que não eram de licra.

Virou costas e saiu.

continua…

~ por taurnillossehelin18 em Maio 7, 2009.

2 Respostas to “Perdido [3]”

  1. que bom que você reapareceu, já estava preocupado!
    quanto ao conto, muito bom!!

  2. Estou a gostar muito da história. Há que continuar que está muito bem escrita! Espero que a continuação não tarde muito! Parabéns!

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